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Dois bilhões dos cinco bilhões de habitantes no planeta têm deficiência de uma ou mais vitaminas. OK, a maioria dessa gente está no Terceiro Mundo e, no prato dos pobres, não faltam apenas vitaminas — falta comida mesmo, com todo tipo de nutriente. Mas o fato é que outro bilhão da população mundial padece da chamada fome oculta. O conceito se aplica a uma multidão que pode reclamar de barriga cheia: afinal, apesar de fazer as refeições normalmente, seu organismo funciona aos trancos e barrancos por falta de vitaminas. E essa falta não é alardeada pela sensação de estômago vazio. Eis o motivo de a fome ser oculta.

Será que os alimentos não são mais os mesmos que forneciam aos nossos avós tudo o que eles precisavam para viver? Não, não são. Mas, principalmente, nós não somos mais como nossos avós. O ritmo da vida moderna é um notório ladrão de nutrientes. Em primeiro lugar, porque quase ninguém tem tempo para fazer uma refeição como manda o figurino dos nutricionistas. Em segundo, porque o estressante corre-corre se traduz no corpo como uma descarga de hormônios que atrapalham — e muito — a ação das vitaminas. Sem contar outros hábitos que prejudicam essas substâncias. Um comprimido de aspirina faz com que a vitamina C de um suco de laranja tenha um prazo três vezes menor para agir, antes de ser eliminada pela urina. Outro exemplo: os componentes das pílulas anticoncepcionais aniquilam boa parte das moléculas de vitamina B disponíveis no sangue.

O pior é que as refeições do nosso dia-a-dia já são desvitaminadas. “A comida pode conter menos vitaminas do que prometem as tabelas nutricionais”, afirma o engenheiro de alimentos Cesar Romeu Araújo, da indústria farmacêutica Roche. “No Brasil, as pessoas preferem uma farinha de trigo branquinha e ela é puro amido”. As vitaminas B1 e B2, de que o trigo seria em tese uma boa fonte, vão se embora com a casca endurecida dos grãos.

Desde a II Guerra Mundial, de olho na saúde de seus soldados, os Estados Unidos passaram a devolver essas vitaminas perdidas à farinha, acrescentando-as depois da refinação. Na década de 50, a maioria dos países europeus copiou a idéia. No Brasil, até hoje, a farinha não é vitaminada.

“Por causa disso, tivemos dificuldades”, conta Regina Helena Braga, da Interbakers, empresa que, desde 1988, produz pães para hambúrgueres do McDonald’s. A maior rede de fast-food do mundo anunciava que o seu sanduíche tinha a mesma qualidade em qualquer parte do globo. E isso não era verdade, porque a farinha brasileira era bem mais pobre que a de outros países. “Levamos dois anos até conseguir incluir o complexo B na receita”, diz Regina. Hoje, o pão de um Big Mac fornece mais de 60% das necessidades diárias desses nutrientes.

Vitaminas essenciais.

 

Quem não toma pode estar perdendo pela falta de alimentos vitaminados no mercado brasileiro, pela prática de esportes, pela poluição das cidades, pelo fumo, pelo álcool. Trinta por cento dos brasileiros de classes média e alta têm algum tipo de carência vitamínica.

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